Nenhuma vontade de conversar, ouvir respostas. A janela ficou aberta e deve ter molhado a minha cama. Não sei se consigo dormir nela molhada. A minha vida ficou virada e eu não sei se consigo ficar acordada dentro dela.
Não sinto falta do que eu fui um dia e não tenho vontade de ficar com o que ficou de mim.
Eu olho para a falta de ordem ao meu redor e não reclamo tanto, deixo do jeito que está.
Quando estou em casa tomo uns 10 banhos por dia e isso parece ser a única coisa regrada que realmente vale a pena.
Banho para procurar sentido. Uma piada.
Já fiquei cansada outra vez.
Isso tem acontecido com naturalidade. Mais de um maço de cigarros por dia, cansa.
Os livros tantos na estante, me cansam.
Só leio aqueles que estão em minha mesa agora. Coloquei os mais vitais aqui. O resto o tempo, a janela aberta por semanas, as baratas, os ratos, os que moram por aqui podem carregar. Chega um momento que só queremos mais daquilo que sabemos que nos fez bem um dia.
Carreguem os móveis, o que estiver na sala.
A porta nunca mais foi trancada. Não ofereço perigo, não penso em revidar, não quero mais saber.
Só quero que sejam rápidos.
Pessoas aqui por muito tempo, também me cansam.
E antes que o sol resolva nascer, eu vou tomar um pouco de vinho e ouvir mais uma vez esta música que agora ouço e que no momento parece ser a única coisa viva que tem condições de entender o meu tédio.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
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