Hoje eu perdi o emprego.
Há alguns meses abandonei a faculdade.
Um cara contou para a minha mãe que eu cheiro Cocaína.
A minha mãe não é mais Deus
Muita gente sabe que sou lésbica
Eu descobri que não amo, mas que pessoas me inspiram.
Não tenho fé em nada.
Eu de repente terei de me mudar, não sei se vou conseguir bancar a minha vida.
O meu pai morreu de vez pra mim, se é que um dia viveu de fato dentro do meu coração.
Possibilidades com 22:
Plano A. Tomar alguma coisa e acabar com a minha vida
Plano B. Sumir para sempre, para algum lugar.
Plano C. Colocar a culpa no meu País e ir para um outro juntar uma grana para voltar com grana, mesmo sem saber para que usar.
Plano D. Tentar a FUVEST e fazer um curso que vai me render 4 anos mais de orgulho acadêmico.
Conclusão:
Todas são iguais em esforço, por agora vou apenas avaliar a situação de não ter de ir trabalhar e poder me dedicar 24 horas à minha peça.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
O cara que me afetou
Eu estava na rua com a Daniele, com a Geórgia, a irmã dela também...e passou um cara por mim e eu fiz uma gracinha e ele me chamou de sapatão.
Eu ri para despistar, mas fiquei corada.
Num dos ensaios da peça Romeu e Julieta, tinha um povo saindo da escola e viu os ensaios e disseram a mesma palavra maldita.
A minha avó brigou comigo um dia e disse que eu tinha um caso com a minha melhor amiga e disse a mesma palavra maldita.
Eu estava no jardim e ouvi a minha avó comentar com a minha tia avó que eu era isso aí.
Eu adaptei um clássico do Teatro para ouvir muitas vezes esta palavra até me acostumar com ela e rir dela.
Estava cansada de ser chamada disto o tempo todo nas brigas dentro de casa. Eu me cansei de negar um milhão de vezes esta merda toda.
Agora esta palavra não me diz mais nada, agora sou julgada por outros motivos, nenhuma pessoa tem mais este direito!
Mas eu era só uma criança! Já não bastava o inferno dentro de mim, já não era pouco eu me culpar, tentar mudar, me conter para não deixar emergir?
Eu queria ter um espacinho...um tempinho de infância tranquila, eu nunca mais queria ter medo de me apaixonar e o meu olhar me delatar...
Aí virei a estranha, agredia para desviar os olhares, eu tinha que ser a rebelde sem cura para não olharem tão de perto para mim.
Sinto vergonha dos rapazes que usei para me esconder.
A coisa mais triste deste mundo é ter vergonha dos próprios sentimentos. Ter vergonha de dar carinho é a coisa mais podre que existe.
E só mais uma coisa, você pode ler quantos livros encontrar pela frente, mas tarde da noite vem uma solidão tão grande que, nem abraçando forte todos eles, você será capaz de se sentir protegido.
Se houver alguma garotinha assim na sua rua, não olhe tanto assim para ela, deixe ela brincar, de noite você nem sabe, mas ela chora por não entender a razão de gostar mais da amiguinha do que do pedrinho bom de futebol. Ela não sabe direito o que sente, mas já tem certeza dentro da cabecinha dela, que isso é errado.
Ela já tem problemas demais, deixe ela correr, deixe ela ser menina, menino, os dois, deixe ela ser criança.
Eu ri para despistar, mas fiquei corada.
Num dos ensaios da peça Romeu e Julieta, tinha um povo saindo da escola e viu os ensaios e disseram a mesma palavra maldita.
A minha avó brigou comigo um dia e disse que eu tinha um caso com a minha melhor amiga e disse a mesma palavra maldita.
Eu estava no jardim e ouvi a minha avó comentar com a minha tia avó que eu era isso aí.
Eu adaptei um clássico do Teatro para ouvir muitas vezes esta palavra até me acostumar com ela e rir dela.
Estava cansada de ser chamada disto o tempo todo nas brigas dentro de casa. Eu me cansei de negar um milhão de vezes esta merda toda.
Agora esta palavra não me diz mais nada, agora sou julgada por outros motivos, nenhuma pessoa tem mais este direito!
Mas eu era só uma criança! Já não bastava o inferno dentro de mim, já não era pouco eu me culpar, tentar mudar, me conter para não deixar emergir?
Eu queria ter um espacinho...um tempinho de infância tranquila, eu nunca mais queria ter medo de me apaixonar e o meu olhar me delatar...
Aí virei a estranha, agredia para desviar os olhares, eu tinha que ser a rebelde sem cura para não olharem tão de perto para mim.
Sinto vergonha dos rapazes que usei para me esconder.
A coisa mais triste deste mundo é ter vergonha dos próprios sentimentos. Ter vergonha de dar carinho é a coisa mais podre que existe.
E só mais uma coisa, você pode ler quantos livros encontrar pela frente, mas tarde da noite vem uma solidão tão grande que, nem abraçando forte todos eles, você será capaz de se sentir protegido.
Se houver alguma garotinha assim na sua rua, não olhe tanto assim para ela, deixe ela brincar, de noite você nem sabe, mas ela chora por não entender a razão de gostar mais da amiguinha do que do pedrinho bom de futebol. Ela não sabe direito o que sente, mas já tem certeza dentro da cabecinha dela, que isso é errado.
Ela já tem problemas demais, deixe ela correr, deixe ela ser menina, menino, os dois, deixe ela ser criança.
Ninguém
Tem coisas nesta vida que demoramos muito tempo para avaliarmos o tamanho.
Uma amizade é como gostar de Ópera, vamos nos apaixonar por ela, ou vamos detestar e ver como algo insuportável.
Este é o amigo que nestes últimos tempos tem aguentado o rojão! Mas nem sempre foi assim, tão exaustivo para ele. E sei que por sabermos destes tempos outros, tenho o direito de ser por vezes, um fardozinho tristonho e resmungão.
Eu o conheci menino, nunca menino demais, mas era um garoto ainda.
Estava no quarto escrevendo e ouvia a voz dele, vinha da sala, ele falava de vídeo game com o meu irmão, creio que o convidei a sentar-se e ouvir enquanto eu lia o que tinha escrito, ele se sentou e conversamos um pouco, com o tempo nossas conversas foram se tornando cada vez mais frequentes, foi aumentando, aumentando, aumentando e junto com nossas conversas, nossas realidades foram mudando.
Ele me via dedicar todo o tempo à Filosofia. Neste tempo eu admirava seus pés muito brancos e limpos, suas roupas impecáveis e um senso de responsabilidade apenas comparado ao dos anjos que zelam por nós, ainda que contra a nossa vontade.
Era como um anjo, um lindo anjinho...sábio, moderado, elegante e curioso.
Ele passou num teste e começou a fazer um curso que mais tarde fez com que aos 15 anos já tivesse um emprego.
Camisas bem passadas, gravata combinando, sapatos e um jeito de pequeno Homem.
Mas ele quase nunca gargalhava, como o infernal Mozart em "Amadeus".
Ninguém, existe uma sensibilidade diferente?
Não sei Manú, as vezes penso sobre isso...
Conte comigo, seja o que for!
Somos o cúmulo da vaidade! Ele me inspira coragem.
Eu me emociono ao saber com real certeza que, só das minhas virtudes ele se apropriou. Esperto que é!
Temos gostos em comum, mas EU tenho uma coisa que ele não tem.
Eu tenho a alegria sincera de ver o meu amigo voar alto, este prazer é meu, algo particular.
Ele é o Homem mais gentil que eu já conheci nesta vida, o rapaz mais sincero, nobre, mais filho, mais companheiro...
O Ninguém é como uma lágrima ao ver o sol nascer.
Hoje ele estava meio chatinho, me trouxe um presente, sua presença, me trouxe a "Presença", ficou pouco, ao sair disse que amanhã voltaria para me ver e que tentaria vir mais alegre e bem disposto.
Meu Deus! Ninguém, somos amigos, venha à minha casa como for, venha como estiver, esteja aqui para conversar ou sorrir.
Nunca mais me abrace e chore como naquele dia. Nunca mais tente me desviar da minha tristeza tão velha, nunca mais sorria daquele jeito tão especial, nunca mais seja o meu irmão, nunca mais seja o Homem que eu gostaria de ser, o pai que eu gostaria de ter, o amigo que eu sonharia em ter, a música que eu adoraria ouvir.
Deixe de uma vez por todas de ser o Ninguém, transforme-se em alguém.
Não deixaria Ninguém sozinho. Duvidaria de alguém por causa de Wesley Alves Lacerda.
Amor
Manú
Uma amizade é como gostar de Ópera, vamos nos apaixonar por ela, ou vamos detestar e ver como algo insuportável.
Este é o amigo que nestes últimos tempos tem aguentado o rojão! Mas nem sempre foi assim, tão exaustivo para ele. E sei que por sabermos destes tempos outros, tenho o direito de ser por vezes, um fardozinho tristonho e resmungão.
Eu o conheci menino, nunca menino demais, mas era um garoto ainda.
Estava no quarto escrevendo e ouvia a voz dele, vinha da sala, ele falava de vídeo game com o meu irmão, creio que o convidei a sentar-se e ouvir enquanto eu lia o que tinha escrito, ele se sentou e conversamos um pouco, com o tempo nossas conversas foram se tornando cada vez mais frequentes, foi aumentando, aumentando, aumentando e junto com nossas conversas, nossas realidades foram mudando.
Ele me via dedicar todo o tempo à Filosofia. Neste tempo eu admirava seus pés muito brancos e limpos, suas roupas impecáveis e um senso de responsabilidade apenas comparado ao dos anjos que zelam por nós, ainda que contra a nossa vontade.
Era como um anjo, um lindo anjinho...sábio, moderado, elegante e curioso.
Ele passou num teste e começou a fazer um curso que mais tarde fez com que aos 15 anos já tivesse um emprego.
Camisas bem passadas, gravata combinando, sapatos e um jeito de pequeno Homem.
Mas ele quase nunca gargalhava, como o infernal Mozart em "Amadeus".
Ninguém, existe uma sensibilidade diferente?
Não sei Manú, as vezes penso sobre isso...
Conte comigo, seja o que for!
Somos o cúmulo da vaidade! Ele me inspira coragem.
Eu me emociono ao saber com real certeza que, só das minhas virtudes ele se apropriou. Esperto que é!
Temos gostos em comum, mas EU tenho uma coisa que ele não tem.
Eu tenho a alegria sincera de ver o meu amigo voar alto, este prazer é meu, algo particular.
Ele é o Homem mais gentil que eu já conheci nesta vida, o rapaz mais sincero, nobre, mais filho, mais companheiro...
O Ninguém é como uma lágrima ao ver o sol nascer.
Hoje ele estava meio chatinho, me trouxe um presente, sua presença, me trouxe a "Presença", ficou pouco, ao sair disse que amanhã voltaria para me ver e que tentaria vir mais alegre e bem disposto.
Meu Deus! Ninguém, somos amigos, venha à minha casa como for, venha como estiver, esteja aqui para conversar ou sorrir.
Nunca mais me abrace e chore como naquele dia. Nunca mais tente me desviar da minha tristeza tão velha, nunca mais sorria daquele jeito tão especial, nunca mais seja o meu irmão, nunca mais seja o Homem que eu gostaria de ser, o pai que eu gostaria de ter, o amigo que eu sonharia em ter, a música que eu adoraria ouvir.
Deixe de uma vez por todas de ser o Ninguém, transforme-se em alguém.
Não deixaria Ninguém sozinho. Duvidaria de alguém por causa de Wesley Alves Lacerda.
Amor
Manú
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Alex Capetinha!
Eu estava pensando em como eu o conheci, sei que foi na escola, mas não sei certinho como foi que aconteceu, mas aconteceu e éramos uma dupla muito infernal.
Na escola agente vivia junto, grudado, ele era muito quieto, não era de fazer bagunça, mas curtia um som, lembro que a banda nacional que ele mais gostava era o Rappa, nunca tirava o boné e a mochila...ele morava num bairro diferente do meu, era magrelo, tinha os movimentos lentos e houve um tempo em que todas as meninas da classe queriam ficar com ele. Tinha mania de pixar os cadernos e ficava com a cabeça baixa o tempo todo.
Mas um dia aconteceu, ele me falou do Guns n' Roses, eu conhecia pq. a minha mãe adora esta banda e eu ouvia desde criança...quando eu fiz 15 anos a minha mãe me deu um Diskman e o álbúm duplo do Oasis, além do disco: "Como é que se diz eu te amo" da Legião Urbana, aí cada um ficava com um fone durante as aulas e era assim que as manhãs era ocupadas.
Teve uma vez que fizemos uma prova de História juntos e tiramos 10, ahaha ele ficava falando:
"Um dez, um dez!" Uathatha! Com certeza, tirei um dez! ahahaha.
Ele me chamava de doida as vezes, eu nem ligava muito... e a nossa ocupação maior era pensar num jeito de aniquilar os forrozeiros da cidade...um dia colocamos laxante nas bebidas da festa de final de ano ahahahaha...não soubemos se alguém morreu de cagar, mas o plano e depois executar, nos valeu tanto, que colocamos o nosso amigo doido, José Rodolfo dentro de um carrinho de supermercado e saímos correndo em volta da pracinha da minha rua! O carrinho quase virou com o nosso amigo dentro! risos
Não existia drogas, era uma amizade muito sadia, as nossas mentes eram férteis pra caramba, Agente sempre sonhava em ficar rico para poder acabar com a galera do forró!
A nossa alegria era poder conversar. Sentar na frente da minha casa e na calçada ficar falando das bandas, dos nossos ídolos, eu falava muito e nem deixava ele falar direito!
O meu sonho era poder ir à casa dele, mas a minha avó não deixava, dizia que ele morava num bairro barra pesada.
Alguns fragmentos me surgem agora, de momentos com este amigo...
O nosso trabalho de inglês que fizemos um ritual de magia, os nossos desenhos, quando resolvemos aprender a fórmula de Báskara, eu era muito lenta em matemática e convidamos um CDF para nos ensinar, Silvano Honório (ahahaha), ele era meio afim de mim...ajhahahaha e ele lá nos explicando e eu o Parex aloprando na cara dura!
Fiz o impossível, montei uma peça sobre a juventude do Lennon, nunca vou esquecer, a apresentação foi no dia que o Harrison morreu, nunca vou me esquecer, eu em casa me aprontando para ir para o colégio com parte do cenário e ouvi no rádio que o George tinha morrido...tem coisas que não tem como explicar... mudei a intrudução da apresentação fazendo as devidas considerações sobre o óbito do Beatle místico, acreditem, aquilo foi muito sério!
E o Alex fez o papel do professor do Lennon, foi muito divertido, fomos muito ingênuos obviamente, mas foi uma das coisas mais simples e mais sinceras que já fiz na escola. O Alex decorou as falas, brilhou muito, foi emocionante ver o meu amigo ser tão gigante.
Teve um dia que ele veio me contar que uma pessoa numa banca de revista tinha o tratado mal, e ele repetia: "Mas eu tinha o dinheiro para comprar a revista! Eu tinha o dinheiro para comprar a merda da revista! E a moça lá me pediu para voltar mais tarde, pq o pai dela não estava na banca."
Assim, durante semanas ficamos tramando sobre como destruir a banca de jornal. claro que isso nunca aconteceu, mas pensar em formas e formas de fazer vingança, nos conferia alegria, era divertido, era a nossa forma particular de nos defender das sacanagens que faziam conosco.
Falando nos estudos sobre Báskara, me lembrei que ficamos um fim de semana aguentando o Silvano, pq era preciso salvar as nossas médias em matemática...na segunda, chegamos ao colégio super seguros, com tudo acertado, aprendemos mesmo aquela bosta...a professora entrou na sala e disse que não daria mais a prova naquele dia e que quem tinha nota estava bem, quem não tinha, ia ficar de recuperação nas férias ou dependência no próximo ano. Eu agora não me lembro mais de tudo, mas fiquei revoltada, estava com um estilete, olhava fixamente para ela e sentia o rosto molhar, eu chorava sem dar um pio, e os meus olhos estavam fixos na professora...ela perguntou se eu estava bem...eu não respondi, ela me mandou sair da sala dela, disse que eu era louca e que eu tinha que sair, eu olhei para o Alex, ele mais do que qualquer um sabia do esforço que tive, fui para a diretoria, e nunca vou esquecer da diretora ouvindo eu gritar:
"É assim então! Uma professora promete uma coisa e depois muda de idéia?! Eu preciso ter fé em algo! São os meus mestres, estão aqui para nos dar mais do que frustração e dor! Eu não sou louca, estudei para a prova, até comecei a gostar de matemática! O que estão fazendo comigo??"
Eu nunca mais consegui dedicar o meu tempo à matemática e passava de ano nesta disciplina pq. o meu nome ia para conselho e por ter médias muito altas em outras, eu era aprovada na escola.
O Alex era um roqueiro do bem, tinha uma pasta com coisas do Rappa e um pedaço do cabelo que ele arrancou do Falcão num show que ele foi. Ele sempre me escutou, nunca deixou de ser o que era por isso, agente nunca tinha grana pra nada! Para fazermos um churrasco um dia, eu tive de implorar para a minha avó por dias e dias! Quando deu uma chuva muito forte na cidade e entrou água na minha casa, ele foi lá ajudar a tirar a lama e dizia: "O bom de morar perto do céu é isto".
Um dia já estava meio tarde e tal e ele estava demorando mais do que o normal para ir embora, eu não tinha como deixar ele dormir num dos quartos da minha casa, pq. a minha avó odiava ele no portão, quanto mais dentro de casa! No outro dia ele me contou assustado que estava passando e um cara estava usando um telefone público e passou um cara de carro e deu um tiro na cabeça do cara...eu senti que poderia ter perdido o meu amigo, afinal, armas são um perigo! Mas tão logo começamos a falar das três garotas mais bonitinhas da escola: Denise ( que mais tarde eu soube que ele tb pegou, ahahahah), Gézia e Cidinha. O nosso sonho era ter uma grana e colocar numa placa enorme na frente da escola com a foto das três e embaixo escrito: "Pague duas, leve três." Assim esquecemos da fragilidade de uma vida.
Hoje em dia eu tenho uma pequena noção do que os meus amigos poderão ser bons quando estiverem adultos, mas naquele tempo eu não tinha. Sendo leal ao mergulho que dei para contar isso para vocês, eu digo que nunca vi nos olhos do Alex um sinal de algum talento absoluto para alguma atividade...o talento dele era ser o Alex.
Na escola agente vivia junto, grudado, ele era muito quieto, não era de fazer bagunça, mas curtia um som, lembro que a banda nacional que ele mais gostava era o Rappa, nunca tirava o boné e a mochila...ele morava num bairro diferente do meu, era magrelo, tinha os movimentos lentos e houve um tempo em que todas as meninas da classe queriam ficar com ele. Tinha mania de pixar os cadernos e ficava com a cabeça baixa o tempo todo.
Mas um dia aconteceu, ele me falou do Guns n' Roses, eu conhecia pq. a minha mãe adora esta banda e eu ouvia desde criança...quando eu fiz 15 anos a minha mãe me deu um Diskman e o álbúm duplo do Oasis, além do disco: "Como é que se diz eu te amo" da Legião Urbana, aí cada um ficava com um fone durante as aulas e era assim que as manhãs era ocupadas.
Teve uma vez que fizemos uma prova de História juntos e tiramos 10, ahaha ele ficava falando:
"Um dez, um dez!" Uathatha! Com certeza, tirei um dez! ahahaha.
Ele me chamava de doida as vezes, eu nem ligava muito... e a nossa ocupação maior era pensar num jeito de aniquilar os forrozeiros da cidade...um dia colocamos laxante nas bebidas da festa de final de ano ahahahaha...não soubemos se alguém morreu de cagar, mas o plano e depois executar, nos valeu tanto, que colocamos o nosso amigo doido, José Rodolfo dentro de um carrinho de supermercado e saímos correndo em volta da pracinha da minha rua! O carrinho quase virou com o nosso amigo dentro! risos
Não existia drogas, era uma amizade muito sadia, as nossas mentes eram férteis pra caramba, Agente sempre sonhava em ficar rico para poder acabar com a galera do forró!
A nossa alegria era poder conversar. Sentar na frente da minha casa e na calçada ficar falando das bandas, dos nossos ídolos, eu falava muito e nem deixava ele falar direito!
O meu sonho era poder ir à casa dele, mas a minha avó não deixava, dizia que ele morava num bairro barra pesada.
Alguns fragmentos me surgem agora, de momentos com este amigo...
O nosso trabalho de inglês que fizemos um ritual de magia, os nossos desenhos, quando resolvemos aprender a fórmula de Báskara, eu era muito lenta em matemática e convidamos um CDF para nos ensinar, Silvano Honório (ahahaha), ele era meio afim de mim...ajhahahaha e ele lá nos explicando e eu o Parex aloprando na cara dura!
Fiz o impossível, montei uma peça sobre a juventude do Lennon, nunca vou esquecer, a apresentação foi no dia que o Harrison morreu, nunca vou me esquecer, eu em casa me aprontando para ir para o colégio com parte do cenário e ouvi no rádio que o George tinha morrido...tem coisas que não tem como explicar... mudei a intrudução da apresentação fazendo as devidas considerações sobre o óbito do Beatle místico, acreditem, aquilo foi muito sério!
E o Alex fez o papel do professor do Lennon, foi muito divertido, fomos muito ingênuos obviamente, mas foi uma das coisas mais simples e mais sinceras que já fiz na escola. O Alex decorou as falas, brilhou muito, foi emocionante ver o meu amigo ser tão gigante.
Teve um dia que ele veio me contar que uma pessoa numa banca de revista tinha o tratado mal, e ele repetia: "Mas eu tinha o dinheiro para comprar a revista! Eu tinha o dinheiro para comprar a merda da revista! E a moça lá me pediu para voltar mais tarde, pq o pai dela não estava na banca."
Assim, durante semanas ficamos tramando sobre como destruir a banca de jornal. claro que isso nunca aconteceu, mas pensar em formas e formas de fazer vingança, nos conferia alegria, era divertido, era a nossa forma particular de nos defender das sacanagens que faziam conosco.
Falando nos estudos sobre Báskara, me lembrei que ficamos um fim de semana aguentando o Silvano, pq era preciso salvar as nossas médias em matemática...na segunda, chegamos ao colégio super seguros, com tudo acertado, aprendemos mesmo aquela bosta...a professora entrou na sala e disse que não daria mais a prova naquele dia e que quem tinha nota estava bem, quem não tinha, ia ficar de recuperação nas férias ou dependência no próximo ano. Eu agora não me lembro mais de tudo, mas fiquei revoltada, estava com um estilete, olhava fixamente para ela e sentia o rosto molhar, eu chorava sem dar um pio, e os meus olhos estavam fixos na professora...ela perguntou se eu estava bem...eu não respondi, ela me mandou sair da sala dela, disse que eu era louca e que eu tinha que sair, eu olhei para o Alex, ele mais do que qualquer um sabia do esforço que tive, fui para a diretoria, e nunca vou esquecer da diretora ouvindo eu gritar:
"É assim então! Uma professora promete uma coisa e depois muda de idéia?! Eu preciso ter fé em algo! São os meus mestres, estão aqui para nos dar mais do que frustração e dor! Eu não sou louca, estudei para a prova, até comecei a gostar de matemática! O que estão fazendo comigo??"
Eu nunca mais consegui dedicar o meu tempo à matemática e passava de ano nesta disciplina pq. o meu nome ia para conselho e por ter médias muito altas em outras, eu era aprovada na escola.
O Alex era um roqueiro do bem, tinha uma pasta com coisas do Rappa e um pedaço do cabelo que ele arrancou do Falcão num show que ele foi. Ele sempre me escutou, nunca deixou de ser o que era por isso, agente nunca tinha grana pra nada! Para fazermos um churrasco um dia, eu tive de implorar para a minha avó por dias e dias! Quando deu uma chuva muito forte na cidade e entrou água na minha casa, ele foi lá ajudar a tirar a lama e dizia: "O bom de morar perto do céu é isto".
Um dia já estava meio tarde e tal e ele estava demorando mais do que o normal para ir embora, eu não tinha como deixar ele dormir num dos quartos da minha casa, pq. a minha avó odiava ele no portão, quanto mais dentro de casa! No outro dia ele me contou assustado que estava passando e um cara estava usando um telefone público e passou um cara de carro e deu um tiro na cabeça do cara...eu senti que poderia ter perdido o meu amigo, afinal, armas são um perigo! Mas tão logo começamos a falar das três garotas mais bonitinhas da escola: Denise ( que mais tarde eu soube que ele tb pegou, ahahahah), Gézia e Cidinha. O nosso sonho era ter uma grana e colocar numa placa enorme na frente da escola com a foto das três e embaixo escrito: "Pague duas, leve três." Assim esquecemos da fragilidade de uma vida.
Hoje em dia eu tenho uma pequena noção do que os meus amigos poderão ser bons quando estiverem adultos, mas naquele tempo eu não tinha. Sendo leal ao mergulho que dei para contar isso para vocês, eu digo que nunca vi nos olhos do Alex um sinal de algum talento absoluto para alguma atividade...o talento dele era ser o Alex.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Eu nem sei mais o quanto vale!
Hoje é um dia horrível, mas estou escrevendo para dar começo à uma série de estórias que quero muito levar até o final em detalhes.
Prometi e devo cumprir. Vou colocar alguns relatos dos anos anteriores a minha maior idade.
Hoje eu nem devo começar, estou com a mente carregada de más idéias e isso iria prejudicar o que afirmei acima.
Espero que seja um prazer para os leitores. Espero que seja bom para mim também!
Amor
Emanoelly
Prometi e devo cumprir. Vou colocar alguns relatos dos anos anteriores a minha maior idade.
Hoje eu nem devo começar, estou com a mente carregada de más idéias e isso iria prejudicar o que afirmei acima.
Espero que seja um prazer para os leitores. Espero que seja bom para mim também!
Amor
Emanoelly
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