Tem coisas nesta vida que demoramos muito tempo para avaliarmos o tamanho.
Uma amizade é como gostar de Ópera, vamos nos apaixonar por ela, ou vamos detestar e ver como algo insuportável.
Este é o amigo que nestes últimos tempos tem aguentado o rojão! Mas nem sempre foi assim, tão exaustivo para ele. E sei que por sabermos destes tempos outros, tenho o direito de ser por vezes, um fardozinho tristonho e resmungão.
Eu o conheci menino, nunca menino demais, mas era um garoto ainda.
Estava no quarto escrevendo e ouvia a voz dele, vinha da sala, ele falava de vídeo game com o meu irmão, creio que o convidei a sentar-se e ouvir enquanto eu lia o que tinha escrito, ele se sentou e conversamos um pouco, com o tempo nossas conversas foram se tornando cada vez mais frequentes, foi aumentando, aumentando, aumentando e junto com nossas conversas, nossas realidades foram mudando.
Ele me via dedicar todo o tempo à Filosofia. Neste tempo eu admirava seus pés muito brancos e limpos, suas roupas impecáveis e um senso de responsabilidade apenas comparado ao dos anjos que zelam por nós, ainda que contra a nossa vontade.
Era como um anjo, um lindo anjinho...sábio, moderado, elegante e curioso.
Ele passou num teste e começou a fazer um curso que mais tarde fez com que aos 15 anos já tivesse um emprego.
Camisas bem passadas, gravata combinando, sapatos e um jeito de pequeno Homem.
Mas ele quase nunca gargalhava, como o infernal Mozart em "Amadeus".
Ninguém, existe uma sensibilidade diferente?
Não sei Manú, as vezes penso sobre isso...
Conte comigo, seja o que for!
Somos o cúmulo da vaidade! Ele me inspira coragem.
Eu me emociono ao saber com real certeza que, só das minhas virtudes ele se apropriou. Esperto que é!
Temos gostos em comum, mas EU tenho uma coisa que ele não tem.
Eu tenho a alegria sincera de ver o meu amigo voar alto, este prazer é meu, algo particular.
Ele é o Homem mais gentil que eu já conheci nesta vida, o rapaz mais sincero, nobre, mais filho, mais companheiro...
O Ninguém é como uma lágrima ao ver o sol nascer.
Hoje ele estava meio chatinho, me trouxe um presente, sua presença, me trouxe a "Presença", ficou pouco, ao sair disse que amanhã voltaria para me ver e que tentaria vir mais alegre e bem disposto.
Meu Deus! Ninguém, somos amigos, venha à minha casa como for, venha como estiver, esteja aqui para conversar ou sorrir.
Nunca mais me abrace e chore como naquele dia. Nunca mais tente me desviar da minha tristeza tão velha, nunca mais sorria daquele jeito tão especial, nunca mais seja o meu irmão, nunca mais seja o Homem que eu gostaria de ser, o pai que eu gostaria de ter, o amigo que eu sonharia em ter, a música que eu adoraria ouvir.
Deixe de uma vez por todas de ser o Ninguém, transforme-se em alguém.
Não deixaria Ninguém sozinho. Duvidaria de alguém por causa de Wesley Alves Lacerda.
Amor
Manú
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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