Numa noite como esta, fria, na temperatura que mais gosto, no cômodo do lugar que lentamente fui rotulando de lar, eu penso nas minhas coisinhas...
Vou juntando cacos de informações que recebi durante o dia, evitando também lembranças que me machucam, tentando não acordar desde meu sono tão caro...refletindo sobre o meu próprio ato de refletir, escapando de uma imagem que sempre me ocorre desde que era criança...uma enorme bola de concreto que vai me apertando contra a parede. E eu nunca fui até o fim com isto, sempre me sacudo afim de parar de pensar na enorme esfera que me esmaga, sempre assim, quando eu deveria mesmo era deixar ela fazer o que fora projetada para fazer, não limitando tanto assim esta nova experiência.
As drogas são tão necessárias que tiram o sono, reviram o estômago, alteram o meu paladar, me custam todo o dinheiro que junto, tem sido assim, vez ou outra me presenteio com algo diferente, e quando tenho tal objeto, não vejo graça, entrego a quem passa, não faz mais sentido nada disto.
E o sorriso sai forçado, a boca amarga, o ar que entra devagar e com custo aos meus pulmões só me revela os restinhos de minha completa falta de controle.
Não me excito mais, atos de violência não são pensados, recusas são feitas com um leve aceno de cabeça, nem reclamar consigo. Tá tudo muito bom para mim.
Existem pessoas que não estão neste mundo para procriar, ter dinheiro em bancos, roubar ou matar por amor, assistir TV, ter time de futebol, comer pipoca no cinema, ir ao cinema.
Tem gente que nasce maldita!
E os seus escritos tornam-se teses de mestrado, são temas de debates, são censurados!
Os amores são todos impossíveis, esta condição de impossibilidade é o que alimenta uma melancolia que produz trabalhos muito bonitos, emocionam...a alegria não desafia ninguém!
A dor acomete os que observam o seu resultado, transforma um dia de chuva em uma paisagem mórbidamente cativante.
Não é caso para procurar um médico que certemente vai receitar mais drogas, não é o caso de ficar de canto numa festa para chamar a atenção de todos para a angústia latente.
Não é o caso de sorrir para o sol e pensar em coisas positivas e caminhar. A festa sempre será vista como uma manifestação insana de uma alegria que não é felicidade, assim como o sol será entendido como uma estrela que não brilha o suficiente ao ponto de me inundar de contentamento.
Creio que Homero é mais conhecido do que Aristófanes!
Um cigarro me ajuda agora, as demais substâncias não fazem mais o efeito esperado, quem sabe seja pelo fato de eu nunca estár contente.
Neste momento sou sincera em afirmar que sou a melhor companhia para mim.
Não existe conversa mais profunda e reveladora, do que a que temos conosco. Ainda que nos mostre uns detalhes de egoísmos mais originais.
Observo o meu tempo e o que vejo me deixa profundamente pasma. O tipo de debilidade que não me arranca da face, uma expressão.
Eu não sei mais como lutar.
E não quero mais que me mostrem como.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
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