segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Mascotinha...linda! Linda mesmo!

Quando a vi pessoalmente, soube de seus ossos fortes de menina bem tratada, corpo avantajado por conta de uma alimentação repleta de mimos...mas tão logo, por de trás desta impressão de ser apenas uma mimada, ela passou a ser como o olhar que deixou perdidamente louco de desejo o tão fraco Pedro da Maia, Eça saberia falar melhor da minha estada no Paraná!
Não sei de propositalmente, já que no cúmulo de minha sinceridade estúpida, eu revelei há tempos o que nossas conversas me provocavam além do deleite de ter uma garota tão jovem em tão alta conta...
Enquanto os seus jovens amigos tentavam de todas as formas conquistar minha atenção com gracejos e conversas tão belas e divertidas, as brincadeiras vão tomando proporções cada vez maiores...ela lá, à um canto, com um dos meus cigarros na boca, soltando aquela fumaça.
Será que só na minha cabeça aqueles gestos eram tão sensuais?
E aquele olhos negros, as vezes no meio da conversa em roda eu me perdia por conta deles...
Como assim me perdia??!!!
Tenho 22 anos, sei que posso ter um jeito muito estranho, mas ser mais velha me confere uma certa vantagem...mas não! Estava ali por causa dela!
Ela cada vez mais olhava dentro da minha alma, nem sei se era me enlouquecer o motivo dela olhar assim para mim!
Bebia. bebia mais, passava na avenida chamando a atenção dos carros, típico da idade!
E o meu ciúmes tomando absurdas proporções!!
Perguntei certa hora se ela estava consciente das coisas que fazia?
Ela disse que estava...aquele diálogo não deveria ter acabo ali, comigo sentada longe, dizendo ah tá.
As músicas que ela canta quando bebe muito, ou nem bebe tanto...são de rimas óbvias, de ritmos acelerados, mas até que estava bom! Se fosse uma música mais sensualmente bem composta, Deus, nem saberia como me controlar! Mas ela tinha bebido muito, mas ela tem só 16 anos, gosta de um babaca que nunca deve ter lido um livro na vida, se leu nem saberia fazer um resumo das partes que amarram o texto. Ela chorou por ele ao ler uma carta, chorou por um idiota!
E sei que aquele olhar a confere um assédio que ela odeia! E quando o dia foi terminando, a madrugada também, ela fumou um último cigarro ainda deitada, eu estava deitada no chão perto o bastante para ouvir sua respiração, ela se deitou de lado de sainha, eu poderia ter me levantado e tentado algo, tentei conversar, ela dormia profundamente e nem deve ter ouvido eu dizer obrigado, eu disse uns 500 obrigados por tudo...mas ai, no escuro daquela sala, eu me senti mal por olhar assim para uma mocinha...e nunca, nunca poderia me aproveitar dela bêbada, ou dormindo com sua sainha, fui até a minha mochila, peguei a minha jaqueta e cobri suas pernas pois o resto da madrugada até o nascer do sol, poderia ser frio para ela.
Ela se trocou para saírmos anoite, ela sentava com as pernas abertas por descuído, eu não olhei como os tarados olham, avisava para fechar as pernas!
O meu sentimento era assim, de admiração plena e buscando a bela e mais poética forma de admirar alguém...
Tinha todo o seu corpo, tinha os seus atos juvenis de rebeldia, tinha o fato de ter bebido tanto, tinha o fato de eu ser de fora e isso poder apresentar algum atrativo...sei lá.
O meu presente para ela, eu não levei, a Peça que escrevo em sua homenagem...mas como eu poderia entregar o meu trabalho tão detalhado e dedicado à elevar sua beleza, se não tinha sentido a insanidade que aquele olhar pode causar à uma pessoa fraca como EU?!
Quero aquele olhar para compor a personagem que apelidei com uma palavra que ela gosta...quero também que depois de ter Mozart na trilha sonora, quando as cortinas forem erguidas, que uma das suas músicas favoritas, ainda que tão elementar, seja ecoada por todo o teatro.
Aqueles olhos me levam a crer que era cedo demais terminar um trabalho que além de fazer exaltação de uma beleza tão discreta, era para libertar minha alma dos tormentos de querer tanto alguém que nem precisa dormir comigo ou revelar suas formas ficando nua só para mim.
Um beijo, um único beijo e depois dele, eu estaria fadada a dar um tiro no coração e a chorar com loucura por todo um inverno, primavera, verão e outono.
E quando eu brincava e ela olhou sério para mim e perguntou o que eu queria...eu pensei em pedir este beijo...ainda penso neste beijo, no olhar que a dona deste beijo tem...mas prefiro eu, fazer a pergunta:
O que você quer?
Pede o que for, se olhar com admiração e vontade para um dos pontos turísticos de Maringá, arranco e te levo numa caixa de presentes, com um cartão bonito escrito em letras douradas, em papel elegante, ou banco a óbvia também, monto uma banda de rock e dedico meu CD óbvio de rock à você.
No fim do passeio, um abraço rápido eu dei, tive medo de tremer muito e ela notar.
Se bem que se ela notar, isso é realmente o que menos me importa!
Mas desejo é sempre desejo. Todavia se ela não quer sair nunca da louca e divertida atividade de me olhar daquele jeito, eu me contento em nutrir uma amizade e a certeza de que ela dormiu ao meu lado de sainha e mesmo assim, fui de uma elegância digna dos Templários e velei por seu sono e minha mão nunca, nunca tocou seu corpo como os idiotas que ela tanto odeia.
Só dentro de mim, aquele olhar da minha mascotinha foi só meu.

Nenhum comentário: