Estas coisas de namorar e ter alguém, por vezes me faz falta.
Não só no sentido de ter alguém para transar...não!
Estou falando de alguém especial para conversar, para dormir junto.
Só dormir. Sem precisar fazer nada demais.
Ver TV, deitar no sofá e ficar horas com as mãos no cabelo deste alguém, fazer carinho nas mãos...
Nada de disputas, ou tramas dignas de um filme de romance impossível.
Eu sinto um amor muito grande por alguém que oficilmente não saiu da minha vida. Nos telefonamos com frequência, estes dias saímos para conversar, foi maravilhoso.
Descobrindo numa tarde muito agradável quais são nossos pequenos defeitos, nossas grandes mentiras...fazendo planos para uma vida em comum quando eu resolver crescer um pouco.
Caminhamos um pouco também, falamos em Van Gogh, nosso pintor predileto, nosso assunto sempre recorrente...
Perguntei se ela acreditava que as grandes obras são como frutos de uma vivência doente do artista, ela me respondeu que é possível, mas que quer sempre acreditar que as coisas podem ser boas e alegres.
Eu me enamoro facilmente por tudo aquilo que acaricia a minha sensibilidade, tanto que me vejo perdidamente apaixonada de repente por uma gentileza, por uma atenção conferida a minha pessoa, por um sorriso sincero de alguém simples...
Mas ela...ela provocou o que há de melhor e pior em mim.
Me fez ter ambição, me fez deprimida, me fez revoltada, me fez aprontar cenas típicas de pessoas apaixonadas e piegas...me fez amar com calma, me ensinou a fazer amor com jeitinho, sorriu pra mim quando eu errei ao beijá-la, brincou dizendo que era normal, afinal sou tão imatura...
Ela falou de relacionamentos passados só para me provocar ciúmes.
Eu caí em sua armadilha e senti a cólera de ter alguém que julgava ser tocado só por mim, mas que fora de outros. E tive de entender que aquele sorriso já foi para mais alguém além de mim.
Tem amigos, assim como tem lugares, que temos absoluta certeza de que nunca mais esqueceremos.
E tem o amor... Tem o primeiro que guardamos com carinho por ter sido o alavancar de novas sensações; tem o último, aquele que temos absoluta certeza de que, não vai ser possível, nem que variando bastante, não saber que não importa quantas vezes encontraremos olhares penetrantes e sedutores, no meio de uma multidão que nos ame, sempre faltará esta pessoa que de tão junto de nós, por alguns segundos teve o coração nosso na palma das mãos.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
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